EXCLUSIVO: Idosa de 92 anos fica cega após cirurgia de catarata; VEJA!

Autor: Marcos de Paula

Fonte:

13/04/2018

Um sofrimento que jamais será esquecido pela família da cabeleireira Maria das Dores Silva Banedito de 58 anos. A ideia era dar um presente de natal para a mãe, a aposentada Angelina Maria da Conceição, hoje com 92 anos.

O sonho de fazer a aposentada voltar a enxergar parecia estar próximo do fim. No mês de novembro de 2016, houve o mutirão para cirurgias de catarata e, Angelina foi selecionada para o procedimento. Seria o fim de um sofrimento da aposentada que tinha a visão comprometida pela doença.

De acordo com a filha, Angelina tinha uma visão turva e a família viu na cirurgia a possibilidade de dar uma qualidade de vida melhor para ela nos poucos anos que lhe resta de vida. Mas o que era para ser a realização de um sonho virou pesadelo.

No dia 16 de novembro daquele ano, Angelina foi levada pela filha até a Secretaria de Saúde onde existia uma carreta móvel com oftalmologistas responsáveis pelas cirurgias no mutirão.

Idosa depende da filha até para as tarefas mais simples do dia a dia / Foto: Marcos de Paula

Em entrevista exclusiva à reportagem da Rádio Imperador e Portal Pop Mundi, Maria das Dores disse que teve que sair as pressas com a mãe direto para o Hospital.

“Eu não sei o que fizeram com a mãe, mas algo de errado aconteceu. O auxiliar do médico nos levou no próprio carro devido a gravidade. Minha mãe sofreu hemorragia no olho esquerdo, foi horrível, pensei que ela fosse morrer”, disse com a voz embargada.

Veja: 

O calvário da aposentada continuou. No Pronto socorro o médico disse que a situação era delicada, o sangramento era difícil de controlar. “Minha mãe sangrava pela boca, nariz e ouvido”, completou.

Depois de algumas horas foi feito sutura no olho afetado e a aposentada voltou para casa. Após o erro médico, segundo a família, a aposentada ficou com os pontos no olho durante sete meses. Maria das Dores procurou a Secretaria de Saúde várias vezes mas não obteve respaldo, segundo ela.

Angelina Conceição perdeu a visão do olho esquerdo após cirurgia/ Foto: Marcos de Paula 

O curativo feito no olho esquerdo de Angelina foi retirado em uma clínica particular. O oftalmologista disse que ainda existia uma pequena chance de reverter o caso, mas teria que ser em Ribeirão Preto.

Maria então resolveu contratar uma advogada para agilizar o processo e socorrer a mãe o quanto antes mas, o sofrimento só aumentou. A advogada recebeu R$ 600 e simplesmente desapareceu. “ Eu já fui no endereço dela, mandei telegrama, fui na OAB mas ninguém sabe o paradeiro dela”, afirmou.

Maria chegou a levar a mãe em Ribeirão Preto mas, já era tarde. Ela agora pretende mover uma ação contra a Prefeitura. Nossa equipe tentou localizar a advogada, mas ela não foi encontrada.

Outro lado

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que "o caso dela está na Procuradoria Jurídica, sendo discutido judicialmente, com análise de documentos, depoimentos das partes e sem uma decisão a respeito até o momento".

Já o médico responsável pela cirurgia foi procurado pela reportagem em seu consultório em Bebedouro (SP) e por telefone foi informado que o profissional está em viagem ao exterior onde participa de um congresso, não sendo possível a manifestação no momento a respeito do caso. 

Quanto a reclamação contra a advogada, a Comissão de Ética e Disciplina, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), se manifestou por meio de nota onde esclarece que "tomou conhecimento do fato no último dia 11 de abril, as 11h41, através de representação formulada por Maria das Dores Silva Benedito e que para a continuidade no procedimento reclamatório, é necessária que a interessada, nos termos do Art. 4º, I, da Resolução TED nº 9/2011 a reclamante deverá providenciar a juntada de cópias dos seus documentos pessoais (RG, CPF e Comprovante de Residência), bem como assinar o termo de reclamação". 

A OAB ainda diz que "o processo disciplinar tramita em sigilo até o seu término só tendo acesso à suas informações as parte, seus defensores e a autoridade judiciária competente".