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"Bombadeira" era o nome usado por empresário que traficava transexuais

Redação Pop Mundi 09/08/2018 15:51

Duas pessoas foram presas na manhã de hoje (9) durante ação da Polícia Federal, em Franca (SP). Entre os investigados está um empresário conhecido como “Bombadeira” suspeito de envolvimento como o tráfico internacional de transexuais.

Era ele o responsável pela aplicação de silicone industrial para a modelagem de bocas, quadris e mamas das vítimas. Seduzidas pela promessa de viagens e participações em concursos de beleza na Itália, pelo menos sete jovens saíram de Franca e foram traficados para a Europa.

Vítimas eram iludidas com promessas nas redes sociais (Divulgação/Polícia Federal)

A partir daí começaram as investigações e de acordo com Lucina Maibashi Gebrin, delegada da Polícia Federal, ele usava as redes sociais para fazer a propaganda dos serviços. “Há suspeitas de que havia a reutilização em virtude das consequências, porque algumas das trans que fizeram implantes nas clínicas que estão sendo investigadas tiveram sequelas, tiveram necrose no tecido e há comentários no grupo das trans de que essas próteses eram de outros transexuais e eram deixadas nessas clínicas e os médicos reaproveitavam essas próteses”, explicou.

A operação denominada “Fada Madrinha” foi deflagrada através do cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Federal de Franca, juntamente com o Ministério Público do Trabalho e Ministério Público Federal.

Ainda segundo Luciana, “Bombadeira” ao lado de homem seriam um casal e chefes da quadrilha na cidade do interior paulista e se passavam por empresários. “Ambos possuem antecedentes criminais e se dizem empresários que vendem roupas, sapatos, promovem shows para o público transexual e também costuram roupas”, ressaltou.

As investigações

 

Os mandados foram cumpridos em Franca, Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Jataí (GO), Rio Verde (GO) e Leopoldina (MG). As investigações começaram em novembro de 2017 após denúncia de que jovens estavam sendo aliciados em redes sociais com garantias de cirurgias para transformação em transexuais.

Polícia Federal durante operação "Fada Madrinha", em Franca (Foto: Samuel Cintra/Pop Mundi)

Ao todo, 58 policias federais estiveram nas ações nas cidades citadas. De acordo com Edson Geraldo, delegado Federal é preciso uma integração para garantir a proteção às vítimas. “Essa operação tem relevância, principalmente porque se refere à dignidade da pessoa humana e porque é necessária toda uma rede de proteção estatal... Além da repressão penal em relação aos autores, nós também tenhamos uma rede de proteção às vítimas que serão assistidas a partir desse momento”, disse.

Além do risco com os procedimentos clandestinos, os transexuais segundo as autoridades eram submetidos ao gasto com aquisição de roupas e outros objetos que os levavam a dívidas sem fim.

Para Sabrina Menegário, Procuradora da República, o assunto é de extrema importância e os crimes de trabalho escravo e tráfico de pessoas, precisam de mais atenção. “É muito importante que esse assunto venha à pauta da sociedade, até para que essas pessoas que são exploradas dessa forma possam ser vistas com olhos de maior cuidado e tutela”, alertou.

A investigação teve início em novembro de 2017. No total, pelo menos 11 pessoas foram traficadas para a Itália e a venda de cada transexual pela internet custava em média cerca de US$ 15 mil.

“São pessoas muito vulneráveis, às vezes marginalizadas pela sociedade, então temos que ter um olhar muito atento para que essas pessoas não sejam novamente vitimadas, não sejam atraídas por um agressor e para isso já estão sendo atendidas”, concluiu a Procuradora do Ministério do Trabalho, Regina Duarte.

Os próximos alvos da investigação, segundo os responsáveis, serão as clínicas e o núcleo internacional, inclusive com algumas pessoas já identificadas no exterior. Na operação realizada hoje, 14 pessoas foram resgatadas somente em Franca.


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